Campo Maior / Elvas

 

Pandeireta de saias

Sarronca

A Sarronca é um membranofone de fricção. É composto de um reservatório, geralmente uma bilha, que serve de caixa de ressonância, cuja boca é tapada com uma pele esticada que vibra quando se fricciona um pequeno pau ou cana preso por uma das pontas no seu centro.

in CAIADO, José Pedro, Guia dos Instrumentos Musicais Tradicionais Portugueses, A.P.E.M., Boletim 68, Janeiro/março, 1991, pp.7

 

Também conhecida pelo nome genérico de ronca, a Sarronca é um instrumento muito primitivo. Pelo processo explicado acima produz um ruído grave e fundo, que o bojo da caixa transforma no ronco que caracteriza o instrumento. A organologia distigue duas espécies principais destes membranafones de fricção: fricção directa ou indirecta. Os membranofones de fricção directa são geralmente membranofones de percussão vulgares, tambores ou pandeiros, usados daquele modo especial. A fricção faz-se normalmente com a própria mão ou com um pano.

Os membranafones de fricção indirecta podem ser de dois tipos, conforme o elemento fricativo é flexível ou rígido e cada um destes tipos pode ainda ser de dois tipos, conforme esse elemento é exterior ou interior, isto é, conforme a corda ou haste se encontram por fora ou por dentro da caixa. Em todos eles a caixa geralmente não é típica, usando-de para o efeito, normalmente uma vasilha de barro. Na região de Elvas fazem-se em certas olarias bilhas especiais para as Sarroncas.

Considerada um instrumento de carácter cerimonial, próprio do ciclo do Inverno e utilizado sobretudo na época natalícia, no interior dos templos, em músicas rústicas e pastoris, acompanha os cantares ao Menino Deus em terras como Elvas, Vila Boim, Santa Eulália e Campo Maior. Toca-se em casa em regiões como Vila Viçosa, Castelo de Vide e Juromenha.

Em terras de além-Guadiana fazem-se, além de Sarroncas pequenas e portáteis, enormes Zambombas de "tarefas" de azeitona, bidões,. . .são tocadas em casa, pousadas no chão, à vez por todas as pessoas que aí se encontram reunidas.

A pele usada deve ser bastante fina, variando também conforme as disponibilidades locais: geralmente de coelho ou lebre, com os pêlos colocados para dentro.

in OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, Instrumentos Musicais Populares Portugueses, 2ª edição, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1982, pp.407 a 413