Vidigueira

Grupo Coral da Vidigueira

 

 

"Pode dizer-se que no Alentejo existem três tipos de canção: corais majestosos, ou sejam "modas" para serem cantadas por grupos, geralmente nas ruas, em passo cadenciado; corais religiosos, ou sejam "modas" de carácter religioso; corais coreográficos, ou sejam "modas" para serem cantadas nos bailes, para danças de roda e outras formas.

Os corais majestosos, ou "modas" propriamente ditas, são canções a duas, três e quatro vozes, "feitas" pelo povo alentejano e cantadas por grupos de cantadores, simples ou mistos, em geral constituídos só por homens, que se reúnem espontaneamente, especialmente nos dias de festa, para esse fim. Em toda a sua riqueza polifónica, a "moda" alentejana compõe-se dos seguintes elementos: Ponto, Alto, Segundas e Baixo. O Ponto ou Solista é o indicador da "moda". A sua função é dar a conhecer o seu tema e tonalidade. O Alto apodera-se depois do tema, canta só durante as primeiras notas, duas quando muito, juntando-se-lhe em seguida as Segundas, que constituem a massa sonora, e se encontra à terceira inferior. É das Segundas que, num ou noutro compasso, se desdobra o Baixo, com carácter permanente. Quando o grupo é constituído por vozes mistas, as segundas são dobradas à oitava, perfazendo quatro vozes distintas.

E de terra para terra, e de grupo para grupo, a mesma melodia pode mostrar variantes. As palavras são constituídas de um modo geral por quadras adaptadas aos trabalhos do campo, festas populares e litúrgicas, saudade e amor, à mãe, à terra natal, ao Alentejo.

Tornando possível a comunhão de homens e mulheres na luta pela obtenção dos produtos da terra, presidia à criação e perpetuidade de um dos aspectos mais relevantes do reportório da música vocal de tradição oral da região: os cantares de trabalho. Tudo leva a crer que, no começo do século, este reportório era exclusivamente cantado por trabalhadores agrícolas. A "moda" era assim propriedade espiritual de toda a população rural: homens, mulheres e crianças a conheciam e a cantavam."

in OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, Instrumentos Musicais Populares Portugueses, 2ª edição, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1982, pp 493 a 495.